Nuno Costa – Benfica, Câmara de Lisboa e Câmara de Oeiras

1. Conforme se tem percebido por toda a informação que tem vindo a público, o modus operandi do Benfica para ganhar e perpetuar o seu poder passa por lançar os seus tentáculos junto de todas as esferas de decisão que possam influenciar a sua atividade.

Desde árbitros, dirigentes desportivos e jogadores até políticos, agentes judiciais e jornalistas, o polvo encarnado tem os seus tentáculos espalhados um pouco por toda a sociedade portuguesa, facilitando e ocultando todas as manobras e esquemas que o clube da Luz tem utilizado para obter vantagem desportiva.

2. Foi noticiado ontem pelo jornal A Bola que Nuno Costa é o novo Chefe de Gabinete da Presidência do Sport Lisboa e Benfica, trabalhando diretamente com Luís Filipe Vieira e com a cúpula da estrutura encarnada.

Aparentemente desconhecido no mundo do desporto, quem é Nuno Costa e porque chega agora ao Benfica?!

3. Sem grande informação sobre o perfil de Nuno Costa, A Bola adicionou apenas a informação de que o agora Chefe de Gabinete da Presidência do Sport Lisboa e Benfica trabalhou no gabinete da Câmara Municipal de Oeiras entre 2009 e 2017.

No seu perfil do Linkedin, podemos consultar o histórico da atividade profissional de Nuno Costa desde 2002 até ter ingressado no Benfica.

A verdade é que as ligações entre Nuno Costa e o Benfica são mais antigas e mais frequentes do que nos querem fazer pensar.

4. OEIRAS 

1. Apesar de não existir qualquer despacho de nomeação disponível, é público que Nuno Costa exerce desde 2005 funções na Câmara Municipal de Oeiras. Em 2009, é promovido a Chefe de Gabinete do Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais.

Em 2013, perante a impossibilidade de candidatura de Isaltino, Paulo Vistas apresenta-se como candidato à Câmara Municipal de Oeiras e vence, mantendo Nuno Costa como Chefe de Gabinete.

A 23 de Setembro de 2017, uma semana antes das eleições autárquicas em que Paulo Vistas se recandidatava, a Câmara Municipal de Oeiras e o Benfica anunciam a construção da Cidade das Modalidades naquela cidade.

No programa “Universo Porto da bancada” do Porto Canal, Francisco J. Marques acusou o Benfica de uma eventual intervenção na campanha em Oeiras. O diretor de comunicação do F. C. Porto revelou ter dois pareceres que comprovam que a obra não era possível: “Um de 6 de junho e outro de 13 de setembro de 2017, ambos assinados por Paulo Vistas, presidente da Câmara (…) que dizem que não se pode fazer a cidade das modalidades ali, porque faz parte da Reserva Ecológica Nacional e interfere com um monumento nacional que é o Aqueduto das Águias Livres.” Estes pareceres são assinados por uma arquiteta da Câmara Municipal de Oeiras e remetidos ao Benfica, explicou J. Marques.

2. A resposta da Câmara Municipal de Oeiras veio da parte de Nuno Costa. O chefe de gabinete de Paulo Vistas, confirmou que os terrenos em causa não podiam receber o equipamento desportivo, uma vez que era necessário alterar o Plano de Pormenor que, desde 1985, tem previsto a construção de um parque de campismo para o local.

Nuno Costa referiu que a Câmara tinha dado início ao processo de alteração do Plano de Pormenor em causa para que o Benfica pudesse construir a sua Cidade das Modalidades. 

O terreno, com um total de nove hectares, será doado pela autarquia de Oeiras e erguido perto da serra de Carnaxide. “A Câmara de Oeiras só libertou o terreno. O investimento, que deverá rondar os 17 milhões de euros, será da responsabilidade do Benfica”, disse à agência Lusa Paulo Vistas, presidente da edilidade oeirense.

5. LISBOA

Contudo, a experiência de Nuno Costa em gabinetes autárquicos e em processos de oferta e legalização de terrenos para o Benfica não começou em Oeiras. Em 2002, Nuno Costa integra o gabinete de Helena Lopes da Costa, Vereadora da Câmara Municipal de Lisboa entre 2001 e 2005 com os pelouros da Ação Social, Habitação Social e……Património.

Ora, foi precisamente nesse período que a Câmara Municipal de Lisboa ajudou o Sport Lisboa e Benfica com 65 milhões de euros! O contrato-programa assinado em 2002 pela Câmara de Lisboa, EPUL, Benfica e Sociedade Benfica Estádio SA foi mesmo alvo de investigação e a Polícia Judiciária acabou por concluir que as formas de apoio acordadas e atribuídas ao clube da Luz para a construção do estádio “consubstanciam verdadeiras comparticipações financeiras, concedidas por instâncias municipais”.

Segundo um relatório da Inspecção-Geral de Finanças que suportou o trabalho da Judiciária, o “contrato contrariou os normativos legais vigentes”, por não terem sido quantificados devidamente os encargos das entidades públicas envolvidas em desrespeito pelos princípios da boa gestão dos dinheiros públicos.

O escândalo chegou ao ponto de a EPUL (Empresa Pública de Urbanização de Lisboa) ter pago ao Benfica mais quase 1,3 milhões de euros do que estava previsto nos contrato de execução. Coincidência, ou não, Helena Lopes da Costa foi vogal do Conselho de Administração da EPUL entre 2003 e 2004, durante o mesmo período em que exercia o cargo de vereadora da CML com Nuno Costa no seu gabinete.

 

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