Convites: cinco mil borlas davam dois milhões de prejuízo ao Benfica

Exagero de convites levou Domingos Soares Oliveira a alertar para a receita perdida. Lista dos beneficiários foi reduzida e houve quem passasse a ter de pedir o convite directamente ao presidente

O esquema de oferecimento de lugares para jogos no Estádio da Luz era há já alguns anos motivo de insatisfação interna. Domingos Soares Oliveira terá sido o primeiro a manifestar-se contra o volume das ofertas do Benfica, chegando ao ponto de propor a revisão de procedimentos. Basicamente, pretendia estreitar a malha dos convites.

Em julho de 2010, por altura dos últimos preparativos para o arranque da época oficial, Domingos Soares Oliveira, administrador da SAD do Benfica, propôs uma revisão da política de oferta permanente de convites para os jogos na Luz. O motivo era simples: pelas contas do dirigente, cinco mil bilhetes, em média, por cada jogo eram oferecidos a diversas pessoas e entidades, num custo que superava os dois milhões de euros.

A revisão da lista de ofertas tinha o aval de Luís Filipe Vieira, que pretendia pôr à venda todos os lugares nos camarotes, à exceção da tribuna presidencial, onde só é mesmo possível aceder com convite do clube, dos espaços destinados aos futebolistas e respetivos acompanhantes, e dos bilhetes previstos nos contratos com as empresas.


Num exercício de comparação, o valor dos convites que o Benfica disponibilizava há oito anos superava o orçamento do Portimonense (dois milhões de euros) para esta época e estava mais ou menos ao mesmo nível do orçamento do Tondela (2,5 milhões de euros). Clubes como Boavista (3 M), Feirense, Estoril ou Chaves (3,5 M) encararam esta temporada com valores pouco acima dos mais de dois milhões de euros que os encarnados não facturavam.

Da extensa lista de convites para as bancadas que passou pela revisão da SAD encarnada constavam patrocinadores do Benfica e quase 300 patrocinadores da Liga, além de dezenas de bilhetes para forças de segurança, como a Polícia Judiciária, a divisão da PSP do aeroporto e a Guarda Nacional Republicana. Domingos Soares Oliveira colocou também em reflexão as dezenas de ingressos destinados a colaboradores dos mais diversos sectores do Benfica e a outras empresas privadas.

A nova ordem benfiquista levava a que alguns dos anteriormente beneficiados com bilhetes de camarote passassem a ter de solicitá-los directamente ao presidente com 72 horas de antecedência.

Vinte juízes no mesmo jogo?

A cada jogo na Luz, os responsáveis pelo protocolo lidam, no mínimo, com centenas de convites. Há quem os peça e há quem os receba naturalmente, num processo gerido bilhete a bilhete. Os contactos de possíveis convidados são actualizados frequentemente, numa base de dados que vai desde embaixadores e políticos até… juízes. Em 2011, as moradas de 45 juízes (de direito, conselheiros e desembargadores) constavam dos contactos do Benfica e houve pelo menos um jogo da época 2011/12 em que 20 magistrados coincidiram nos camarotes a convite do clube.

Fonte: ojogo.pt